Hoje marca o começo da Semana de Alta Costura de 2019! Emocionante, né?
Ok, entendo se a minha introdução não deixou vocês empolgados. Por muito tempo, eu não achava graça nenhuma em couture, porque simplesmente não a entendia.
Com tempo, me interessei mais na alta costura porque eu queria descobrir mais sobre moda e designers. Descobri um mundo fascinante, cheio de expressão artística incrível, paixão, inovação, e dinâmicas sociais e económicas bem complexas. Dentro do mundo tão corrido da moda, existe um oásis para os designers deixarem as preocupações de negócios para o lado – pelo menos um pouco – e brincarem com a moda. Por isso, acho alta costura muito fascinante. É moda pura.
Então, exatamente o que é alta costura?
Em francês, se usa a frase haute couture, uma expressão protegida pela lei francesa para descrever uma faixa de moda que tem que cair dentro de regras específicas. Você não podia montar uma empresa, fazer camisetas, e dizer que é haute couture. De fato, até a maioria dos designers mais badalados do mundo não goza deste título de haute couture! Gucci, Balenciaga, Prada, Yves Saint Laurent, e muito mais não considerados designers de haute couture.

Qual é a diferença entre um designer normal e um de haute couture?
A essência da haute couture é que o designer faz peças únicas sob medida para clientes particulares. A relação entre o designer, o cliente, e os costureiros é sagrado, a a visão do designer reina sobre todos.
Em contraste, com prêt-a-porter o designer tem que produzir uma coleção que apeteça ao público e que vá lucrar para a empresa. As roupas prêt-a-porter são produzidas em massa e vendidos através de distribuidores no mundo inteiro.
Com alta costura, o designer não tem que preocupar com o consumidor (apenas só com os críticos das revistas). Pode experimentar desenhos, tecidos, e ideias novos. A criatividade – não o lucro – é o mais importante.
Usam material de altíssima qualidade, e os costureiros são altamente treinados. De fato, muitos dos funcionários das ateliês permanecem com o mesmo designer pela carreira inteira.

As regras
Para ganhar o título de alta costura, tem que:
- Montar desfiles duas vezes por ano (janeiro e julho) em Paris
- Em cada desfile, tem de apresentar ao menos 25 peças novas
- Manter um ateliê em Paris com 15 funcionários de tempo integral E 20 costureiros de tempo integral
- As peças têm de ser feitas sob medida e cada cliente tem que ter pelo menos dois fittings, ou provas, na ateliê
Chambre Syndicale de la Haute Couture
Quem faz as regras? A Chambre Syndicale de la Haute Couture, é claro! Haha. A Chambre faz parte da Fédération de la Haute Couture et de la Mode, a organização que regula a indústria de moda francesa.
Além dos membros oficiais da alta costura, a Chambre convida um punhado de designers para participar nas apresentações em janeiro e julho. Aqueles designers podem usar a palavra couture, porém não a frase completa de haute couture.
E lembra daquela regra mandando que todos os designers tenham ateliês em Paris? Bem, como a Chambre faz as regras, podem também distorcê-las. Tem uma lista curta de designers estrangeiros, ”membros correspondentes” que tem cedes por fora da França: Armani Privé, Elie Saab, Valentino, e Atelier Versace.

Quem compra?
Francamente, são pouquíssimas pessoas que conseguem comprar roupas de alta costura. Cada peça pode custar dezenas a centenas de milhares de dólares, até um milhão de dólares se for um vestido de noiva. Caramba.
As roupas, de qualquer preço, são arte, no? Entrar na C&A e comprar uma camisa social é como entrar na Etna e comprar um quadro. Você vai receber um produto bem desenhado, produzido em massa, e prático para uma grande faixa de padrões de vida e orçamento.
E alta costura é como comprar um Picasso original. Essas peças são preciosas, e provavelmente vai acabar nas coleções de museus no mundo inteiro.
Então, quem tem condições de comprar? Segundo à The New York Times Style Magazine, a clientela é composta de apenas 1,000 pessoas no mundo. Nossa senhora.

Então, os designers devem lucrar MUITO com alta costura, não?
Eeeeehhhh . . . não. A ala de alta costura dentro de cada grife é completamente dependente nas outras partes da empresa para sobreviver. A custa de manter uma ateliê, com funcionários e os melhores costureiros no mundo, comprar os materiais mais preciosos do mundo, e montar desfiles duas vezes no ano para peças que, muitas vezes, não chegam a ser vendidos, é alta.
Você deve ter percebido que a Dior está bombando nas vendas de maquiagem e produtos de beleza. Ainda bem, porque essas vendas apoiam o departamento de alta costura. Loucura, né?

Vale a pena?
Dado que mil pessoas entre 7 bilhões estão comprando essas peças, e que nem lucram muito, por que é que as grifes continuam com haute couture? É um desperdício?
Beleza e arte têm valor intrínseco, não é? E a moda é forma de celebrar a forma humana, de entender a nossa concepção do corpo e como ela muda através do tempo. Em todo tipo de arte, há uma forma de documentação social e cultural.
Mas pelo lado de negócios, a alta costura é uma ótima ferramenta de marketing. Cada coleção gera atenção da mídia (olha só, eu escrevendo da alta costura aqui, por exemplo), que aumenta o perfil da marca. E assim, os produtos mais acessíveis das grifes vendem mais.
Para mim, as coleções da alta costura são um parque de diversão. Amo o artesanato, as ideias novas, os conceitos diferentes – mesmo se eu nunca num milhão de anos os usaria.
Se você quiser ver novidades da Semana de Alta Costura, vou postar nos meus Stories no IG.
Beijos!
Stig.

