Aquele Amor Brincalhão: Ludus

ludus - the greek word for playful love and how it can be life changing

Feliz sexta-feira! Hoje vamos falar sobre o ludus, o amor brincalhão, como parte da nossa série falando dos tipos de amor segundo os gregos. Ludus aparece em muitos tipos de relacionamentos, como entre pais e filhos, entre crianças, em namoricos, até entre animais. 

Como alguém que se leva Muito á Sério, eu tive que aprender este tipo de amor. Simplesmente não é natural para mim, ou talvez era e por um motivo ou outro, fora esmagado por meio das tragédias pequenas e grandes da vida. De qualquer forma, sempre fui uma pessoa que gosta de regras, ordem, e quietude. 

Mas a vida me desafiou na minha década de 20. Entre desastres, tragédias, e falhas de todo tamanho, aprendi a reconhecer àquele equilíbrio paradoxal entre ”ei menina, é apenas a vida,” e ”não há nada mais precioso do que este momento, agora.”

Papa Mendes

O meu pai é o campeão de ludus. Talvez você já o viu no meu Insta – passamos muito tempo junto e ele tira muitas das minhas fotos. Me lembro de quando eu e a minha irmã éramos criancinhas e ele chegava tarde do trabalho. Ele tirava os sapatos e ficava de quatro no carpete, deixando-nos subir nas costas dele e cavalgar pela sala de estar como se fosse um cavalo. E fazia com alegria, como se não tivesse outro lugar no mundo onde queria estar.

Imagine – ele era o chefe de patologia cirúrgica num hospital de quatro campuses espalhados por São Francisco. Ele tinha dias longos.  Mas ele conseguia se mergulhar por completo em ludus quando chegava em casa. Acho que isso é um sinal do que é amor – uma força que ultrapassa uma emoção simples para ser uma força verdadeira de vida. 

E até hoje ele tem um jeitinho de me fazer rir dos desastres da vida, aceitando-os à medida que diz, ”a vida é tão absurda e divertida, né?”

A Sicinha

Sim, sou aquela pessoa quem tira selfies com o cachorro.

Os animais são ótimos com ludus também. Para eles, é coisa tão natural quanto respirar. A Sici, por exemplo, minha cadelinha de um ano e meio de idade. Ela precisca brincar. É absolutamente necessário para ela. E eu, a rabugenta que sou, sou forçada a brincar com ela. Nos dias chatos, quando a dor no pescoço e na cabeça está implacável e estou gasta, ela ainda precisa brincar.

E sabe o que descobri? Eu também preciso. 

Preciso ficar no chão, lançando bolinhas de ração para ela ”caçar”, jogando os brinquedos para ela, perseguindo ela em voltas do apartamento. É a medicina mais eficaz que já provei para combater qualquer dor, seja física ou emocional. É sério.

Interessante como a vida nos encoraja a aprender novas formas de amar. Agora, passo a maioria do meu tempo com pessoas (e com a Sici) que me forçam a ser um pouquinho mais brincalhona. Que privilégio, poder continuar aprendendo a vida inteira!

A realização de que brincar é uma forma de amar mudou tudo para mim. Ser brincalhona não significa que estou evitando as responsabilidades da vida, senão compartilhando a vida com o próximo. Tem coisa mais linda?

E aqui estou, lançando um blog que fala de suéteres ousados e casacos ridículos de pele fake. E é por pura alegria. Suponho que é o ludus que me trouxe aqui, não acha?

E você? Como é que você vivencia o ludus?

Beijos,

Stig.