Moda, Sustentabilidade, e Ética: O Quê Você Deve Saber

Temos um problema.

Você sabe que amo um pouco de fast fashion – sabe, aquelas marcas de roupas de ”moda rápida” como Riachuelo, C&A, H&M, e Forever 21? Adoro entrar naquelas lojas sabendo que vou encontrar um monte de roupas das tendências atuais num bom preço. Sempre há novidades, e sempre encontro mil peças que quero comprar.

Mas sempre que vou na caixa para pagar, me penso, ”na verdade, quem está pagando aqui?” Porque Deus sabe que eu não pago tanto não.

As Estatísticas

Faz pouco tempo ouvi uma estatística alarmante que a indústria de moda é a segunda maior indústria poluente no mundo. Acontece que esta estatística provavelmente não seja verdade porque não há forma de verificá-la, pelo menos segundo este artigo (em inglês) pela minha colunista preferida do New York Times, Vanessa Friedman. Infelizmente, isso não significa que não temos motivo por preocupação – as estatísticas verificáveis não são muito melhores.

Segundo o mesmo artigo, dentro dum ano de fabricado, quase 60% das roupas é destruído ou largado num aterro. O vestuário e os calçados produzem quase 10% das emissões de carbono no mundo.

E ainda há problemas com a cadeia de suprimento, descritos neste artigo excelente da Forbes escrito no início deste ano. Como não existe muita transparência, e a cadeia de suprimento é complexa e muitos componentes são terceirizados, muitas empresas insistem que não há forma de saber se a produção de roupa é feita ou não com mão-de-obra escrava. Sim, escrava. Acontece que, segundo o mesmo artigo, cerca de 50% das vítimas de tráfego humano é vendida ao trabalho forçado, inclusive nas fábricas de roupas.

Sei que no começo deste post, disse que tinha TUDO a ver com fast fashion – mas a verdade é que este problema não é limitado ao mundo de varejo barato. Marcas de grife, como Prada, Chanel, e Dior, recentemente foram expostas na mídia por terem transparência péssima nas práticas trabalhistas, salários baixíssimos, e condições abusivas.

Destruindo a Moda

Literalmente. Muitas marcas, como a Nike, H&M, Victoria’s Secret, Chanel, Louis Vuitton, e até recentemente, a Burberry, destruam a maioria do que não conseguem vender. Sim – elas queimam estoque morto. Roupas novinhas, em chamas.

Por quê?

São dois motivos – preço e exclusividade.

Acontece que, em alguns casos e principalmente com respeito às marcas relativamente mais baratas como a Nike, seria mais caro pagar a frete para mandar as roupas extras para um centro de reciclagem ou para doação. E estas duas opções – a reciclagem e a doação – envolvem mão-de-obra, que também é caro (bem, julgando pela quantidade embaraçosa que costumam pagar seus trabalhadores, presumo que não deve custar-lhes tanto). Então, lá para o forno vai o estoque.

E assim tem o assunto da reputação e exclusividade. Uma marca como a Chanel nem oferece o seu estoque na promoção, muito menos num bazar. Principalmente para os grifes, que gastam muito milhões de dólares por ano com publicidade, a ilusão de exclusividade é TUDO. A história da marca, muito mais do que a qualidade das materiais e artesanato, gere o valor da marca. Então, a última coisa que os grifes querem é ”diluir” a potência da marca com doações – imagine só se alguém tirasse foto dum pobre usando Louis Vuitton! Que escândalo!

Brand Dilution

To quote Margaret Bishop, a professor at Parsons and the Fashion Institute of Technology interviewed by the Huffington Post, “some brands feel that they don’t want their product to be seen, photographed, etc. on a group of people who might not be able to actually afford that brand. So, if they have excess stock, they may choose to destroy it rather than it going into an off-price outlet or being sold at a discount price or being in some other way moved into the [lower-price] marketplace.” Yikes. That’s what they mean by “brand dilution.”

To a point – and I repeat, to a point – I can see what they’re talking about. I know, for example, that Michael Kors can’t be burning all of his excess, because every time I walk into Nordstrom Rack or TJ Maxx, I can buy one of his handbags for half off. That leads me to never want to buy anything of his full price, not ever.

O Quê Fazer

A pior coisa fazer neste momento seria desistir. Sei que parece que não tem opção – principalmente se não está com condições de comprar roupas de marcas sustentáveis, que muitas vezes são mais caras do que compraria na avenida. E, supondo que você consegue e quer gastar mais, mesmo as marcas de luxo são poluindo e maltratando os trabalhadores. Então, fazer o que?

Entendo bem a frustração, porque eu também estou frustrada. Não quero fazer parte do problema – mas também, às vezes parece que não tem como evitar.

Para mim, a resposta é começar pequeno, com as mudanças que consigo fazer. Uso um serviço de aluguel de roupas de grife, por exemplo – assim compro menos, e o desperdiço é menos. Comecei a comprar itens, como cintos, consignados. Estou sempre de olho para marcas éticas e sustentáveis.

Tempos opções, e não vou parar aqui. Na semana que vem, vou compartilhar mais sobre marcas sustentáveis de todo preço, e passos pequenos que todo mundo pode fazer para eliminar estes problemas tão importantes de hoje. Há uma saída, prometo!

beijos,

Stig

PS. E essa foto arrumadinha no topo da página? Pelo que sei, nenhuma das marcas, incluindo a minha querida See by Chloé, é sustentável. Fico tão triste e zangada, porque não há desculpas hoje em dia, principalmente por marcas tão caras quanto a Chloé! Sim, as roupas são do meu serviço de roupas alugadas, e então um pouco melhor, mas mesmo assim – podia ser MUITO melhor.