Se você não tenha o costume de escanear as passarelas e editoriais por sinais de diversidade, sugiro que entre no hábito.
Sabemos que a diversidade tem benefícios para todo mundo, não apenas para o grupo sendo representado. Se você quiser ler mais sobre isso, recomendo este artigo de 2014 do The Washington Post e este de 2017 da Forbes, ambos em inglês. Não encontrei muita matéria confiável em português, infelizmente, mas este artigo da revista Planeta fala mais do assunto e os benefícios que a diversidade tem entre alunos de ensino fundamental.
Atualmente, temos visto mais diversidade nas semanas de moda. A coleção da primavera 2019 do Pierpaolo Piccioli por Valentino é um excelente exemplo disso, a maioria dos modelos sendo de minorias étnicas. Podemos ver claramente que, no mínimo, a diversidade está virando tendência.
A Diversidade è Apenas uma Tendência?

A palavra ”tendência” me faz ansiosa. De fato, é fonte de ansiedade para muitas pessoas no mundo da moda. A diversidade não deve ser tendência. Deve ser fundamental, formando a base das empresas, das cadeias de fornecimento, e do design dos produtos. Seja na C&A ou na Chanel, a diversidade deve ser muito mais duma tendência.
No entanto, se seja uma tendência simples, pelo menos temos a oportunidade de aproveitar do momento. Podemos insistir que a indústria imponha mudanças permanentes, tanto no momento de contratar empregados diversos em cada nível das empresas quanto no processo de escolher modelos.

Mesmo que a indústria da moda tenha a reputação (merecida) de ser elitista, é importante anotar que ela está sim prestando atenção ao que o público quer. Se ninguém se importasse com quem andava nas passarelas, que as mesmas pessoas fossem representadas, nem valeria a pena ter esta conversa.
Mas as pessoas se importam sim. E devem também pregar a palavra da diversidade, para que esta ”tendência” vire costume. E enquanto este evangelho fale direto à alma, às vezes ajuda ter acesso aos dados concretos. Assim, sabemos quais são as areas que precisam de mais atenção, onde estamos melhorando, e como devemos andar para frente. Que me leva à …
The Fashion Spot’s Diversity Report
A Reportagem de Diversidade do The Fashion Spot

Se você é como eu e valoriza dados concretos, vai amar a reportagem de diversidade do site The Fashion Spot. Mesmo se você não goste muito de dados, sugiro que dê uma olhada assim mesmo. Todo mundo deve ser educado no estado da diversidade da moda!
The Fashion Spot é uma revista online que, alem de cobrir assuntos de moda, beleza, e cultura, produz reportagens sobre diversidade. Ouvi do site através dum dos meus podcasts prediletos, o Pop Fashion (um ótimo jeito de aprender inglês, na minha humilde opinião).

As reportagens de diversidade deles são uma ótima ferramenta para ver quais designers e empresas estão investindo em diversidade nas campanhas e nas passarelas. Para mim, me informa aonde gastar o meu dinheiro, quais contas de Instagram seguir, e quais são que quero destacar aqui no blog.
E mesmo que todos as minhas decisões são pequenas em comparação aos mega-influencers ou clientes de couture, importam. Cada um de nós ocupa a sua esfera de influência, né? Podemos dirigir as nossas conversas, o nosso dinheiro, e o nosso enfoque no que queremos que cresça.
Observações
Reportagens com as do The Fashion Spot são super importantes para manter a indústria no caminho certo. No entanto, há algumas limitações, o maior sendo que a diversidade não é necessariamente a mesma coisa que inclusão.

I plan on doing a separate post on diversity versus inclusion, but for now I’ll say that diversity is simply the addition of people from different backgrounds or points of view. Inclusion, on the other hand, is a culture that values and provides space for different backgrounds and perspectives.
A questão da diferença entre inclusão e diversidade merece um post à parte. Por enquanto basta dizer que diversidade é simplesmente a adição de pessoas de origens, pontos de vista, e histórias diferentes. A inclusão, no outro lado, é uma cultura que valoriza e faz espaço por pessoas diversas.

Relacionado aos limites acima é o fato de que quem está nas passarelas ou publicidades não necessariamente representa quem está por trás das cenas. A diversidade tem que estar presente em todos os níveis das empresas, não apenas nas fachadas. É imperativo para a saúde financeira e criativa duma marca criar um ambiente de diversidade, dos funcionários das lojas aos models, dos modelos aos CEOs. Os artigos da Forbes e do The Washington Post dão dados excelentes apoiando este argumento.

Basta lembrar também que a diversidade vem em muitas formas. The Fashion Spot, na minha opinião, faz um ótimo trabalho em destacar várias formas de diversidade, como tamanho, raça, idade, género, e orientação sexual. Existem outras formas de diversidade também, como classe económica, educação, etc. Todas são importantes em criar uma cultura de inclusividade.
Você recomenda alguma leitura para aprender mais sobre a diversidade na moda ou em geral? Me conte!
beijos,
Stig.

