O Grande Resumo da Semana de Alta Costura Outono 2019

Haute Couture Week Fall 2019 | photo via Voge
Se gostaria de saber mais sobre a alta costura, o que é, e por que vale a pena dar uma olhada, veja este post antes de continuar!

A Semana de Alta Costura Outono 2019 veio rápido, e mesmo que acabasse na quinta passada, ainda estamos processando tudo que vimos. Como qualquer semana de moda boa, nos deixou com mas perguntas de que respostas.

Não refiro a perguntas como, ”ainda posso usar dad sneakers?” e ”devo compra sandálias com bico quadrado?” (as respostas são, por acaso, sim e sim). Refiro às perguntas maiores que arte nos proporciona, como ”o que significa se identificar como mulher?” e ”gênero continua relevante?” ou ”se pode ser brincalhão numa cultura intelectual?”

As Grandes Questões da Semana de Alta Costura, Outono 2019

Para mim, o grande tema foi o de crescimento e transformação. Como é que podemos melhorar? Quanto é que um ser humano consegue mudar a si mesmo? Conseguimos mudar o nosso clima? Queremos conseguir mas paz, inovação, liberdade, maravilha, ou quê?

Estamos num momento em que queremos nada mais do que transformação – para quê, e como, resta ver.

Este post é a primeira de dois resumos da Semana de Alta Costura, Outono 2019, e vamos dar uma olhada às designers Guo Pei e Iris Van Herpen.

Vamos?

Guo Pei

Não vou entrar em muito detalhe com a Guo Pei, pois a apresentação dela era tão intricada e complexa que merece um post à parte!!

Ela nos levanta

O show dela tratou-se com a mudança espiritual para um ”universo alternativo.” Modelos andavam por um arco coberto em corvos no Beaux-Arts em Paris, num cenário macabre com música quase mágica, industriosa, e imperial. Houve uma sugestão forte de que estávamos sendo levado para um domínio além da morte do qual ninguém jamais tinha imaginado.

The Big Fall 2019 Haute Couture Week Breakdown: Guo Pei
via Vogue

Os tons de crema usados pela coleção criam um sentido de paz e um fundo lindo para os bordados em dourado, preto, e azul. Esses bordados magnificos desenharam imagens de criaturas, tanto imaginadas quanto verdadeiras. Estava etéreo, cerebral, harmonioso, e intrigante.

The Big Fall 2019 Haute Couture Week Breakdown: Guo Pei
via Vogue

Penas através da coleção nos lembram que éramos uma vez atados à Terra, mas agora que estamos nos céus, voamos com alguma coisa celestial.

E nos devolve à Terra

Então, Pei nos traz de volta para Terra com galhos, besouros, e folhas brancas. Há traços de cor, como se a vida estivesse na véspera de renascer.

The Big Fall 2019 Haute Couture Week Breakdown: Guo Pei
via Vogue

O vestido final é uma explosão em verde, amarelo, e calêndula. É vigorosamente vivo, transbordando com cor e centenas de brotas e folhas.

The Big Fall 2019 Haute Couture Week Breakdown: Guo Pei
via Vogue

Mas então há o lembrete de que não estamos completamente separados daquele universo divino. A cauda em creme apoia o vestido de trás, como se o modelo pisasse numa nuvem na saída do céu. Um corvo, aquele símbolo macabre, continua na mão dela. E o vestido quase se envolver o modelo como uma cama.

Ou como um caixão.

Sabemos que temos sido transformados, mas como é para você decidir. Começamos na morte, para depois sermos transportados para um domínio mas pacífico? Ou é aquele vestido final mesmo uma cama, e você está a despertar dum sonho? Ou está nos ensinando que a vida e a morte são inseparáveis, e então a transformação é uma ilusão? É você que sabe.

Iris Van Herpen

A Iris Van Herpen tem o talento único de combinar as tecnologias mais avançadas, como impressão em 3d, heat bonding com Mylar, e corte a laser, com as experiências mais elementares de viver no planeta Terra.

The Big Fall 2019 Haute Couture Week Breakdown: Iris Van Herpen
Terra | Via Vogue

Esta coleção, chamada ”Hypnosis,” nos levou por cada elemento: terra, ar, água, fogo. Junto com o escultor cinético americano Anthony Howe, a designer criou peças que são semelhantes sim aos elementos. Mas também parecem vivos, pois têm o seu próprio movimento. Não sentem por cima do corpo como uma roupa normal. Em vez disso, a roupa move por volta do corpo a medida que o modelo mexe.

Alguns dos vestidos têm um elemento mecânico. Com moção ou vento, partes deles movem, graças ao envolvimento do Anthony Howe. Ele também criou o arco magnífico por cima da passarela, que girava durante o show. Para a apresentação, ele estava mecanizado, mas se instalado no ar libre, ele se mexeria sozinho com a moção do vento.

The Big Fall 2019 Haute Couture Week Breakdown: Iris Van Herpen
Ar | Via Vogue

As estampas são completamente harmoniosas até que o modelo se move, quebrando as linhas curvilíneas do padrão. Lembra uma pessoa perturbando a superfície dum poço d’água, ou cultivando a terra. Não resisto pensar que a Van Herpen está referindo-se às interações humanas com o nosso meio ambiente. Conseguimos existir sem interferir na natureza, ou conseguimos conviver com ela?

The Big Fall 2019 Haute Couture Week Breakdown: Iris Van Herpen
Água | Via Vogue

Terapia de Hipnose

Mas ela não chamou a coleção ”os humanos estão acabando com o meio ambiente através da ruptura contínua dos ciclos de vida.” Ela chamou-a de ”Hypnosis,” ou ”Hipnose” em português.

E sim, os vestidos são sem dúvida hipnóticos. Claro! Dá uma olhadinha para qualquer um no vídeo e tenta não olhar.

Então aqui está o recado que eu levei desta apresentação: sim, a Van Herpen criou vestidos que nos mudam entre ar, água, etc, mas qualquer um que já fez uma aula de física olharia nela e diria que também há uma transferência de energia. Aquela energia cinética está sendo trocado entre o vento, a moção, e os vestidos, é inerentemente transformativa.

Talvez mais importante, e mais urgente no nosso clima atual, a hipnose pode ser uma ferramenta para mudança. As pessoas usam-na para sarar da trauma, desistir de fumar, mudar-se de hábito. É transformadora, tal como quase cada aspeto desta coleção. Acho que a Van Herpen, a esperta que é, nos hipnotizou para repensar a nossa relação com o meio ambiente. Queremos ser perturbadores da paz? Queremos ser inovadores? Como é que queremos transformar a nossa interação com a natureza?

Novamente, quem decide é a gente.

Quem disse que a arte dá respostas?

beijos,

Stig