Antigamente eu pensava que um negócio como bordado lúdico era floreio de bibliotecária do ensino médio. Sabe, aquela senhora às vezes austera, às vezes simpática com as sobrancelhas desenhadas em linhas fortes na testa (bem, eu não posso julgar, pois também sou culpada), sempre com pacote de chiclete sem acúcar no bolso e uma coleção de bolsas de tapeçaria que os netos lhe compraram? Talvez sejam artefactos do colégio americano, mas já tive várias bibliotecárias daquele padrão – e imagino que cada uma delas gostariam muito desta camisa com pretzels bordados.
E o mais que penso nisso, e nas bibliotecárias da minha infância, o mais que gosto da camisa. Aquela bibliotecária – na verdade, muitas que resumi numa só pessoa imaginária – anda com propósito, tem uma apreciação laudável de cookies de aveia e uvas passas, relembra com olhos marejados do Sistema de Classificação Decimal Dewey, e sempre escreve as suas recomendações de leitura com caligrafia impecável. Ela conhece todos os estudantes e os gostos de cada um e como acessar artigos online para a tua tese final.
E a mulher sabe RIR. Eu sei porque podemos ouvi-la cacarejando lá da sala dos professores enquanto lava a caçarola que trouxe para a festa pot luck dos funcionários. Ela ri quando fala da professora de inglês sobre as bolsas de tapeçaria dela. Há uma verdadeira alegria ao seu redor.

Conhece-te a ti mesmo
Aprendi nos meus anos 20 que tenho a tendência de levar tudo, principalmente eu mesma, Muito a Sério. Eu definitivamente não queria que alguém me achasse algo além de Respeitável, muito menos lúdica, brincalhona, ou – Deus me livre – despreocupada. ”Ludismo” é para povo improdutivo, para quem é alegremente ignorante dos fatos da vida, para quem confia nas ansiedades dos Responsáveis para sobreviver num mundo perigoso.
Fui enfrentada com o fato que eu tinha perspectivas extremistas sobre Ludismo e Respeitabilidade, o primeiro sendo insípido e talvez até vaidoso, e o segundo sendo absolutamente essencial para sobreviver. Encontrar um equilíbrio entre eles seria bobagem.
Meu Deus – quem merece viver assim?

Ação corretiva
Há um milhar de coisas pequenas que faço para corrigir aquele meu traço forte de solenidade, porque com anos de experiência e sabedoria (isso espero), aprendi que para realmente aproveitar do PRESENTE que é a vida, temos que criar espaço para frivolidade. Tento fazer coisas são difíceis para mim, de que não tenho jeito mesmo – em público, até melhor; desafio aos meus estudantes pre-teens a ver quem consegue caber mais cheese puffs na boca (sempre ganho – o meu record é 27); e quando encontro uma camisa com pretzels bordados nela – até com os grãozinhos de sal – me desafio a usá-la.

É 100% a cara da nossa bibliotecária. Seria o seu look da sexta-feira. Talvez usaria com calça bombazina, aquelas com as plissadas no quadril, talvez com um suéter de gola rulê. E ela amaria o look para caramba.
Não é alguma coisa que euzinha, a com o Ego Enorme e ideias grandiosas sobre a minha própria seriedade, usaria.
As pessoas pensarão que sou … despreocupada. Brincalhona. Que não sou séria.
E então eu penso, acabo de escrever centenas de palavras sobre pretzel-zinhos bordados que simbolizam uma visão do mundo completa. Que frívolo, que maravilhoso.

O look do dia
Usei este look a uma clothing exchange (uma festa onde todo mundo leva roupas ou para trocar ou doar) duma amiga. Estava chovendo para caramba e mesmo de dia não havia luz no apartamento, nem com as nossas janelas enormes. Então as fotos saíram um pouco … tremidas.

Tendência: bordado divertido
Falei um pouco sobre a tendência bordado no último post, e é alguma coisa que vou continuar usar no ano novo. É tão doce, tão simples, tão inocente – o contrário do mundo da moda, né?
Bem, mesmo sendo o ”contrário” do mundo de moda, o bordado divertido tem aparecido muito nas passarelas:




Espero que tenha um bom resto da sua semana – cheio de momentos alegres com pessoas que você ama!
love,
Stig.

