O outro sábado – o antes da minha excursão preto total – encontrei com a minha amiga Ana aí em San Jose para a gente comer o nosso peso em pasteis portugueses na Pastelaria Adega. Nós duas sendo portuguesas – ela 100%, eu sentindo 75% mas na verdade apenas 25% – temos uma tolerância elevada por natas carregadas de gemas de ovos quando acompanhadas por bicas tão espessas que parecem xarope. Quem sabe, sabe, né gente?

Corpete: Comprei o meu da marca australiana Oh Polly e fiquei muito impressionada com a qualidade, mas infelizmente está esgotado! Oh Polly tem mais opções aqui, e também indico House of CB, Farfetch, e Revolve

Naturalmente, eu estava empolgada para o nosso girls’ day e queria vestir alguma coisa que sentisse alegre, despojado, e, claro, com a minha cara. Como é que podia desfrutar-me de pasteis e boa conversa com a cara de outra pessoa (haha). Então tirei o meu body corpete do baú, peguei as minhas calças jeans boyfriend e os scarpin nudes, e me arrumei um look corpete.

E devo dizer que para alguém tão feminista quanto eu, sei que pode parecer um pouco hipócrita curtir tanto duma vestimenta que por tantos anos fazia uma espécie de sala móvel de torturas para nós mulheres. Para quê liberar o sufrágio às mulheres se nem conseguimos subir as escadas se não houver um fainting couch no topo (piada, gente, nem pensem em mandar-me cartas que vou simplesmente te mandar uma sacola de sais aromáticos o te pedir, com muito respeito, que te vire).

Para mim, é a escolha que faz a diferença. Porque agora, hoje em dia, nós podemos escolher. Opto por usar um look corpete (ou até um espartilho) porque eu mesma quero. Não porque um macho com bigodão que me chama do Anjinho da Casa pede que eu mantenha uma cintura de 40 cm.

No mesmo espírito, posso optar por um moletom rasgado e uma camiseta manchada, que faço com freqüência, e sim, até saio de casa de vez em quando vestida em tal estado. A propósito, é só me falar que eu faço um ”look do dia” usando aqueles farrapos. Seria um look meio grungy, porco, e manchado de manteiga de amendoim (sou, afinal das contas, americana então isso vem junto), mas meu Deus, eu faria.

E justamente porque eu posso – e às vezes são os pequenos atos de auto-realização que se trançam na história que você se conta sobre quem é. Não existe história mais forte que essa – especialmente quando está alimentada com pasteis de nata e boa conversa.
love,
Stig
PS. Algumas fotos ”bônus” de mim e a minha amiga Caroline em espartilhos de verdade da marca incrível Dark Garden – caso você pensasse que eu não daria conta usar um modelo original rsrsrs. E, também, porque eu posso.


Obrigada ao Eric de Dizzy Pixel pelas fotos!

