Christopher John Rogers Fall Winter 2020 New York Fashion Week | Semana de Moda em Nova Iorque

Uma das grandes alegrias de seguir as semanas de moda é descobrir designers novos e poder seguir a carreira deles desde o começo. A gente sente uma parte da história deles, mesmo se nunca comprasse nem usasse nenhuma peça deles, porque estava torcendo por eles o tempo inteiro. Este ano, um designer que me chamou a atenção foi o Christopher John Rogers e a sua coleção Fall Winter 2020 .

Christopher John Rogers Fall Winter 2020 New York Fashion Week | Semana de Moda em Nova Iorque
via Vogue
Christopher John Rogers Fall Winter 2020 New York Fashion Week | Semana de Moda em Nova Iorque
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O Rogers é de Baton Rouge, Louisiana e se formou recentemente da Savannah College of Art and Design. Até há pouco tempo, ele trabalhava do seu pequeno apartamento em Brooklyn – imagine só, aquele monte de tecido enchendo o apartamentinho dele, já lotado com o time de costureiras? Que figura, né? Felizmente, após de ganhar o prêmio CFDA/Vogue Fashion Fund no ano passado, mudou-se para um ateliê de verdade em Nova Iorque, usando o momentum criado do prêmio para atrair clientes de alto perfil, tais como a Cardi B, Lizzo, o amor da minha vida Tracee Ellis Ross, e ninguém menos que a Michelle Obama.

As roupas do Rogers são epicamente dimensionadas: elas balançam, balouçam, praticamente criam o seu próprio efeito Coriolis. Têm uma qualidade semelhante à Scarlet O’Hara, senão infinitamente mais digna e deliciosa por causa das raises fortes do Rogers com a comunidade negra (vai banhar na soda, Margaret Mitchell!). Ele se inspirou em fontes tão variadas quando as roupas brilhantes e monocromáticas na igreja dele no domingo, as obras finais da Madame Grès, e, sim, sacolas de lixo (já viu como eles balançam no vento? Afinal das contas, é poético).

“I don’t think that the way that you dress should make you sacrifice your personality, or your point of view, or necessarily say anything about your intelligence.” – Rogers via NPR

Críticos do Christopher John Rogers

Ele já foi criticado por criar um visual feminino demais, ousado demais, por falta uma certa sofisticação. Estes argumentos são, para mim, alvos fáceis. É tentador, na nossa cultura, equivocar o otimismo com imaturidade, ou feminilidade com frivolidade insípida. Enquanto o Rogers é sim jovem, e com certeza ainda tem muito para aprender, eu encorajaria os críticos a re-examinarem essas ditas observações.

Christopher John Rogers Fall Winter 2020 New York Fashion Week | Semana de Moda em Nova Iorque
via Vogue

Ele nos pede a inspecionar os nossos pressupostos de quem pode ocupar espaço, quem pode ser ”ousada,” e quem pode desfrutar-se da alta moda. A maioria dos seus clientes de alto perfil são mulheres negras, pessoas de talentos, intelecto, e perspicácia criativa enorme. É um gesto profundamente poderoso, feminista, contra a patriarca fazer o quê eu considero ser arte erudita para estas mulheres que contribuíram imensamente à construção da identidade americana mas que são também sistematicamente subvalorizadas. Ele está dizendo, se você é ousada, seja ousada; se ocupa espaço, clame-o para si mesma; se é ultra-feminina, não se atreve recolher (independentemente de gênero).

Christopher John Rogers Fall Winter 2020 New York Fashion Week | Semana de Moda em Nova Iorque
via Vogue

O que ele faz não é novidade – parece com o que o Pierpaolo Piccioli faz lá no Valentino, né? Formas grandes, cores ousadas, transbordando com linhas femininas e flou, e ele é elogiado por todo canto (como merece, devo dizer).

via Vogue

Não quero dizer que o Piccioli não se dispõe de anos de experiência que o Rogers ainda não tem; este último, além de ter uma qualidade unicamente americano e bem diferente que Piccioli, ainda é novo. Ele é inexperiente – deixe que ele seja inexperiente! Comemora as suas conquistas – porque o quê ele faz é importante, principalmente hoje em dia.

love,

Stig.

Fontes: WWD, Vogue, e NPR (links no texto).