Já falamos do amor picante, do amor duradouro, o amor brincalhão, e da amizade – que tal uma boa dose daquele amor único que os pais têm para os filhos?
Ok, vou ser BEM transparente: não sou mãe, porém queria ser. Não posso falar do storge da perspectiva dos pais. A coisa mais perto que tenho à essa relação é o que tenho com a Sici. Juro, gente, eu morreria por ela, mais eu sei muito bem que não chega nem perto do amor entre mãe e filho. Nem imagino como seria ser uma mãe!
Não tenho muito para dizer que não seja isso: seja bom aos pais. Com idade, tenho mais empatia por eles e pelo tudo que passaram na vida. Aos poucos parei de imaginá-los sem vida antes de eu nascer. Em vez disso, entendo mais que são pessoas completas e complicadas que passaram por muito antes de eu existir. Acho que isso é uma forma de marcar o fim da juventude: quando finalmente vê os pais como seres humanos, não como heróis impenetráveis.
Por um lado, descobrir a humanidade dos pais pode ser um desapontamento enorme. Mas por outro, realmente entender esse fato me faz maravilhar até mais no que eles conseguiram por mim. Seria fácil um herói perfeito executar um amor puro a fazer ‘’sacrifícios’’ para os filhos. De fato, se fossem pessoas perfeitas não teria que sacrificar nada, né? Na verdade, tiveram que tomar decisões difíceis, de deixaras suas ideais de quem eu devia ser e deixar a mim levar a vida para frente.

Arco e Flecha
Se já não lesse o livro O Profeta por Khalil Gibran, corre lá para a sua livraria e compre uma cópia. Serve duma referencia filosófica por quase tudo na vida – tipo uma bíblia, porém mais compacto e não limitado a uma religião específica. Contem vários lições sobre a vida, sobre amor, sobre sabedoria e sofrimento – e há um maravilhoso trecho sobre pais e filhos. Neste ele diz que o pai ou a mãe é igual a um arco, e o filho a flecha. O arco não é dono da flecha, senão a guia dela para lança-la na melhor direção possível. Este tipo de amor é exatamente do que storgese trata.
Acho que há sacrifício nisso, a deixar os filhos tomarem o próprio rumo deles. Seria como se deixasse o seu coração andar por fora do corpo, procurando um caminho separado de você. Não imagino coisa mais dolorosa e mais linda na vida.
É (parcialmente) por isso que com os anos eu ganho cada respeito pelos meus pais. Se entregaram no papel de serem pais, de sacrificar tudo para serem os melhores ‘’arcos’’ para eu e a minha irmã. Nos deixaram segui os nossos rumos na vida, sem questão, sem motivos ulteriores, sem preconceito.
Mães e Pais
Tenho muita sorte, em muitos sentidos. A minha mãe nunca, nunca me pressionou na minha carreira, nunca me apressou a casar nem ter filhos antes do meu tempo. Nada disso. Simplesmente me escutava, ouvia os meus sonhos e metas e me perguntava, ‘’o que é que eu posso fazer para te ajudar?’’ Se preciso apenas desabafar, ele escuta. Se preciso de apoio, seja ligar para os meus médicos, advogados, o DMV, ou seja mais ou que, ela liga.Quando consegue, ela investe aqui no blog. Tudo sem esperar nada em retorno. Acho milagroso.
O meu pai também. Por muito tempo, eu tinha medo que se eu resolvesse não ser médica, ele se desapontaria. Eu receava muito, porque ele era médico bem sucedido e amava a profissão dele. Ele me ajudava estudar, e tanto eu quanto ele amávamos estudar ciência junto. Quando finalmente admiti que o acidente me deixou sem condições de estudar medicina mais, uma parte de mim pensou que talvez ele se desapontasse e que eu perdesse uma parte essencial da nossa relação. Mais claro que não – em vez de ficar chateado, ele apenas queria saber como e é que podia ajudar. Você já deve ter visto que ele tira muitas das minhas fotos, ele até estuda fotografia para melhorar o blog. Quem diria que um cirurgião se viraria fotografo de moda?
Não escrevo isso para prestigiar os meus pais, ou dizer que eles são melhores que os outros, ou para desprezar quem não tem boas relações com a família. Às vezes, o seu pai ou a sua mãe não é biológico – pode ser adotado, formalmente ou não, pode ser um avó, uma tia, um amigo – a pessoa que é o arco para a sua flecha.
Como é que storge afetou a sua vida?
Beijos,
Stig

