Philautia: Todos Somos Crianças

philautia: self love

Pronto para continuar na série das palavras gregas de amor? Amor próprio, ou philautia aparenta estar na tendência agora. Entendo que todo blog no face do mundo tem algo dizer sobre este tópico, em vozes mais sábias e experientes que a minha. 

Já ouvimos milhares de vezes que o amor próprio é a chave de lidar uma vida cheia, produtiva, que deixa o mundo melhor do que era quando chegou. Em inglês, temos a frase, ”charity begins at home,” ou caridade começa em casa, e se aplica ao amor próprio. O mais que você se ama, o mais amor que vai poder dar ao mundo. 

Parece cliché? Claro, porque é. Acho que a maioria dos clichés são clichés justamente porque são verdades. É cliché e verdade que você merece amor, e merece mais ainda da única pessoa ao cujo lado você vai acordar toda manhâ: VOCÊ.

Percebi algumas barreiras de aprender amor próprio. Tenho certeza de que existem muito mais, portanto inclui três das maiores aqui:

  1. Ouvimos tanto de amor próprio que perde o significado
  2. Usamos o conceito de amor próprio para limitar-nos, em vez de nos desafiar e conquistar as nossas metas
  3. Estamos de fato absorvendo bons conselhos, porem não sabemos como implementá-los 

Não existe uma solução fácil a nenhuma das três barreiras, e não quero fingir com que existe também não. Pelo menos para mim, provavelmente continuarei trabalhando nisso para o resto da vida.

Mas tenho sim um exercício mental que me ajuda quando percebo que o meu amor próprio está fraco.

Quando o Poço do Amor Próprio Está Seco

Na maioria do tempo, o nosso amor próprio enfraqueça quando não conseguimos as necessidades básicas: comida, sono, agua, segurança, conexão, aprovação, compreensão.  

Falando de mim mesma, quando essas necessidades não estão alcançadas, o meu pobrezinho coração faz a porra duma birra. Coitadinho. 

Se mobiliza contra si. O meu cérebro se junta à luta e lhe diz o quanto que é terrível. O meu corpo chega a bordo e recorta o apetite, a barriga se sente amarga, a dor de cabeça piora, e o mundo em geral é R U I M. 

Ainda existe uma parte de mim que acredita que tem três anos de idade. Tenta fazer sentido do mundo, criar limites, comunicar emoções, e exercitar o senso de identidade. Acho que TODO mundo tem esse pedacinho de si no âmago, aquele pedaço que sempre será uma criança pequena. Muitas vezes, a parte ”criancinha” liga as sensações ruins (quando não recebemos o que necessitamos) a um sistema de valores. Ou seja, a crença é, ”me sinto ruim, portanto sou ruim, ou não mereço amor.

É tão pura, e tão exigente.

E definitivamente está ai. E não vai para lugar nenhum, nunca.

Então, fazer o quê?

Como se fosse criançinha

Se trata como se fosse uma criança pequena! Bem, se você tem filhos, vai ter que imaginar que está com dez horas de sono, recém-voltado das férias, cem por cento descansado. Sei que não é realista, mas é justamente por isto que temos imaginações. Haha. 

Então, o que fazemos com crianças pequenas? Brigamos come elas, tentamos forçar o nosso raciocínio nelas? Ignoramos os limites delas? Tiramos as necessidades básicas delas, como comida, sono, amor, segurança, etc?

Claro que não. As amamos para caramba. 

Pode ser que enlouqueçamos no processo, mas ao fim do dia é o amor que se importa.

E este amor pode ter caras diferentes – pôr a criança para dormir, tomar um intervalo quieto com ela, arrumar um lanche, ou talvez deixá-la chorar por que é isso mesmo que precisa. Pode ser ressaltar as regras, mesmo que dê mais birra ainda, porque você sabe bem que deixar ela introduzir um garfo na tomada vai acabar mal. 

Não as julgamos, mas talvez rimos um pouco à sua custa. Porque para ser sincera, as crianças pequenas são muito parecidas com bêbedos.  Se quiser prova – e rir muito – confira esse artigo aqui.

Mas falando sério, o que é um adulto senão uma criancinha que sobreviveu bastante tempo para pagar as suas próprias contas e fingir gostar de cachaça? 

E que Tal Aquelas Barreiras?

OK, sabemos que amor próprio é bom, e que todo ser humano é basicamente uma criança pequena com vários níveis de responsabilidade. Então, como ligar os dois diante daquelas barreiras que listei em cima? Vamos de ponto em ponto: 

1. Ouvimos tanto de amor próprio que perde o significado

Por quê as crianças não escutam? Pode ser que estão cansadas, distraídas, com fome, sobrecarregadas, ou todo acima referido. Ou, simplesmente são crianças pequenas.

Falando por mim mesma, às vezes não consigo absorver a sabedoria geral do mundo, mesmo que existam mais pessoas sábias com bons conselhos do que qualquer outra época da história humana. Quanto material BOM existe no mundo para nos ajudar! E o melhor conselho que jamais receberemos é como amar por completo, seja amar você mesmo ou amar o próximo.

Então, quanto percebo que não consigo reparar e absorver tooooooda aquela bondade, quanto o que me apetece na lógica não chega ao meu coração, significa que estou sobrecarregada. Preciso de comida, enfoque, sono, ou um descanso.  

E o mais importante: sem julgamentos. Posso tomar um intervalo e me dar o que preciso no momento, e voltar ao trabalho de me amar quando estiver pronta. Essas coisas não podem ser fingidas, apressadas, ou manipuladas. E apenas entender isso já é um ato enorme de amor próprio, não?

2.  Usamos o conceito de amor próprio para limitar-nos, em vez de nos desafiar e conquistar as nossas metas

Ouço muitos pais dizendo que uma das coisas mais difíceis de ter filhos é saber quando empurrá-los por fora da sua zona de conforto, e quando protegê-los. E existem tantos fatores envolvidos naquela decisão, e muitas vezes não há solução simples nem certa.

Para nós ”adultos,” o mesmo dilema se aplica. Às vezes me pego dizendo pela quarta noite em seguida, ”não me apetece ver as amigas hoje, então fico em casa mesmo.” Ou pior, ”este passo súper assustador para frente na minha vida-carreira-relação é demasiado, então me devo limitar porque me parece mais seguro, #amorpróprio #bemestar #DarUmTiroNoPé 

Querida, não. Não sai inibindo o seu crescimento pessoal nem neglicenciando as suas necessidades em nome de ”amor próprio”. Temos que aprender identificar as nossas próprias bobagens.  

Como na caixa do supermercado – você sabe que aquela criança vai fazer birra quando a mãe não a deixa comprar aquela barra de chocolate king size. E você se encolha internamente quando a mãe cede ao filho, porque você sabe que ao fim das contas, vai prejudicar ele. A criança tem de confiar nos pais, e saber que ”não” significa ”não”. Tem que saber que há estrutura, e que no longo prazo, essa estrutura está ai para se ajudar. 

É a mesma coisa para adultos, só é que o nosso ego é maior. Nos comprometemos que trataremos os nossos corpos melhor, e pouco depois mexemos no computador até tarde (sou muito culpada disso), ou ficamos no sofá quando precisamos de exercício, ou nos exercitamos quando não devemos. Temos que procurar a linha entre, ”ei, preciso mesmo dum descanso hoje,” e ”quero um descanso hoje, mesmo que prejudique o meu bem estar no longo prazo.”

Todo mundo tem um equilíbrio. Encontre o seu. 

No momento, se pode perguntar, ”isso é uma meta ou compromisso que precisa mesmo dum descanso agora, ou precisa de consistência?” E aprende a confiar em si, e que qualquer solução que você escolha seja a certa. 

3. Estamos de fato absorvendo bons conselhos, porem não sabemos como implementá-los 

Aprender medir pontos 1 e 2 é já é um grande passo em implementar esse negócio de amor próprio.

E percebi que os momentos pequenos em quais estamos ansiosos, magoados, tristes, ou com raiva são excelentes oportunidades de exercitar amor próprio.

Nestes momentos, me imagino de criança pequena, fazendo birra. Vejo que mesmo que ela se sinta triste, zangada, ansiosa, etc, ela merece amor.

E essas coxas gordinhas de bebê?!?!

E me forço de amá-la para caramba. 

Pergunto a ela do que é que precisa. Escuto. E faço um plano de ação. 

Se estão ocupada demais fazendo a minha birra e não consigo formular um plano, ligo para alguém de confiança. Minha irmã, a minha mãe, Rodrigo, Papa Mendes, o meu padrasto, as tias, as amigas – alguém que se importa com o meu bem-estar.

Então me explico o plano, e me digo o por quê, mesmo se eu não entenda na hora. E talvez me ponho na cama para tomar uma sesta, ou me arruma um lanche saudável, ou me dou forças para conseguir as coisas que têm de ser feitas. 

Para mim, nesta fase da minha vida, é assim que philautia aparece. Me amr como se ainda tivesse 3 aninhos. 

Como é que parece para voce?

beijos,

Stig