Karl Lagerfeld - the good, the bad, and the ugly - from Chanel to Adele and everything in between

A morte do Karl Lagerfeld o mês passado não é uma notícia nova. Todo mundo viu como os jornais a mídia social explodiram no dia 19 de fevereiro quando a sua morte foi anunciada. Junto com essa notícia veio uma inundação de elogios e criticismos.

Parecia que todo mundo ou odiava ou amava o Karl, ambos com paixão. Me perguntei, o que é que tem com essas reações tão carregadas? Ele foi um santo, um génio, ou foi um monstro machista?

Bem, como tudo a ver com os seres humanos, é complicado.

Por que é alguém importante

Lagerfeld foi um gigante na indústria da moda. Ele resgatou a marca da Chanel da quase obscuridade na década de 80 e a transformou no mastodonte que conhecemos hoje. A fama do logotipo da Chanel também é devida a ele e o marketing agressivo que ele disponha.

Trabalhava simultaneamente nas coleções da Chanel e da Fendi, um trabalho monumental. Se diz que ele madrugava com as coleções inteira já realizadas na mente, e desenhava dezenas de peças numa vez só.

Bertrand Rindoff Petroff Getty Images

Foi o primeiro designer de alta moda trabalhar com uma marca fast fashion, com a parceria com a H&M em 2004. Ganhou pontos comigo quando admitiu que se sentia decepcionado com essa parceria. Para ele, queria fornecer alta moda a um preço acessível, mas como a H&M restringiu a quantidade das peças fabricadas, a coleção esgotou rápido e nem todo mundo teve acesso. Gostei do fato que ele parecia se importar, pelo menos neste instante, com as pessoas ”comuns”.

Mas, tinha aberto uma porta, e depois da parceria com a H&M, mais marcas seguiam nos passos dele, criando coleções entre marcas como Moschino e H&M, por exemplo. Mudou a fórmula de marketing para as grifes – agora, mais pessoas tinham acesso à alta moda.

Na verdade, o gênio dele restava mais em marketing do que design. Entendeu que a própria imagem dele era uma marca em si mesma, e a usou para criar um culto de personalidade – e funcionou. Até criou uma marca com essa imagem, a Karl Lagerfeld.

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E porque ele é problemático

Francamente, Lagerfeld era esquisito.

Deixou uma parte grande da fortuna para a gata dele, a Coupette – que tinha duas empregadas a sua disposição.

Ele obedecia um culto auto-imposto de beleza, evidenciou com a sua motivação de perder 40 kilos: ele queria usar os ternos do Hedi Slimane. O médico dele até escreveu um livro sobre a dieta dele – The Karl Lagerfeld Diet. Meu Deus. É difícil não julgar ele por ser perigosamente superficial. Não adianta que fazia comentários que desprezava mulheres mais curvilíneas, como a Adele. Sobre essa, ele disse que ”é um pouco gorda de mais.” Para mim, ele usava a posição dele para espalhar uma cultura obcecada com peso e aparência física. Tinha uma visão limitada do que a beleza podia ser.

Nem podia dizer que ele era feminista – por que da minha perspetiva, não era. Em 2018, ele saiu nas notícias por dispensar acusações feitos por uma modelo de assédio sexual contra um estilista famoso. Lagerfeld disse, ”é inacreditável. Se quer que ninguém mexa nas suas calças, não seja modelo! Vá para um convento, sempre haverá um lugar para você no convento. Até estão recrutando!”

Meu Deus.

Como é que alguém cuja fortuna é devida ao apoio de milhões de mulheres ser tão machista?

Espero que ame tweed

A colunista Judith Thurman escreveu uma crítica mordaz no The New Yorker sobre o Lagerfeld depois da morte dele. O acusou de reinar sobre a moda na mesma forma que o Rei Luís IVX da França, com muito orgulho e pouca inovação. Ele criava em grande quantidade com caimento e qualidade impecáveis, mas faltava imaginação.

Chanel Fall 2004 Ready-to-Wear, via Vogue

Admito que me sinto assim sobre a Chanel faz um tempo. Acho uma ótima aposta se quiser investir em peças clássicas e bem-feitas. Mas se quiser moda inovadora, continue procurando – porque a imagem da marca não tem evoluída desde que o Lagerfeld tomou as rédeas. Na verdade, a primeira coisa que eu penso quando ouço ”Chanel” é espero que ame tweed.

Se houvesse qualquer coisa que aprendi desde que comecei um blog e mergulhei por completo no lado mais cerebral da moda, é que para medir o nosso progresso social através dela, temos que olhar para o que é que as roupas estão fazendo. E no caso da Chanel, independentemente de algumas peças que podia usar para trabalhar em escritório, as roupas permanecem basicamente as mesmas. Reflete uma perspetiva estática sobre o papel de mulheres na sociedade.

Espero que a herdeira da sede Lagerfeld, a Virginie Viard, traga mais inovação à marca. Por tanto, há um consenso geral de que ela continuará com a mesma estética.

A moral da história é que todos contemos multidões.

Concordo com a Thurman? Com certeza.

Concordo com os elogios? Com certeza.

Há até uma chance que eu chorasse quando vi o último desfile feito por ele. Foi deslumbrante, lindo, e emocionante.

Um dos desafios que me dei nos últimos anos é aprender conviver com verdades ambíguas. Já vi quanto sofrimento e confusão vêm do pensamento preto-e-branco. Enquanto os nossos cérebros são feitos para categorizar nitidamente quase tudo que vemos, vale a pena lutar contra este instinto.

´É óbvio que o Lagerfeld tinha talento e ética de trabalho enormes. Trabalhava, em parte, para tornar a moda mais acessível. Mas também era um babaca quem espalhou ideias mesquinhas e francamente perigosas sobre o que é beleza e quem pode ser considerado lindo. Para ele, a moda tinha tudo a ver com a ilusão e os sonhos – para mim, tem mais a ver com identidade e arte.

Mas todo mundo é uma mistura do bom, do ruim, e tudo no meio. Eu, por exemplo, posso trabalhar muito e ainda acordar tarde de vez em quando. Ás vezes sou gentil, as vezes rude (mesmo tentando não ser). Sou capaz de ser uma boa líder, e também capaz de ser irritantemente passiva. Acredito em auto-aceitação e também tenho as minhas inseguranças.

Eu levaria uma bala para a minha cachorra, mas ela NUNCA herdará nada menos que os petiscos que lhe comprei.

Quais contradições é que você vê em si mesmo? O que é que pensa do Lagerfeld? Me deixe saber!

beijos,

Stig.

PS. Roubei das linhas do poema Canção de mim mesmo do poeta americano Walt Whitman:

”Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo, sou amplo, contenho multidões.”