Resumo da Semana de Alta Costura Outono 2019, Parte II

VIktor and Rolf Haute Couture Week Fall 2019 | photo via Vogue

Oi e bem-vindo à parte duas do nosso resumo da semana de alta costura outono 2019! Hoje continuamos com o nosso tema de crescimento e transformação do post da segunda-feira passada com um resumo de Givenchy e Viktor and Rolf.

Viktor & Rolf

Você lembra do quanto a última coleção deles era atrevida e fofa? Bem, esta coleção é mais introspectiva, descrita pelos designers como ”spiritual glamour,” ou ”glamor espiritual.”

Confesso que até para mim, a noção de ”glamor espiritual” parece um pouco artificial. Mas graças a Deus, os designers usaram a definição antiga da palavra glamour, que significava feitiço.

Viktor and Rolf (and Claudy Jongstra) Haute Couture Week Fall 2019 | photo via Vogue

Tem mais do que apenas uma sugestão de bruxaria nesta coleção, com as cores escuras porem super-saturadas e bordados astrológicos. Há um sentido que a roupa vem da terra, porem ainda olha para os céus, procurando alguma coisa além.

Claudy Jongstra

O menos óbvio e muito mais interessante recado desta coleção é o conceito de que o progresso não é sempre linear.

Os designers holandeses Viktor Horsting e Rolf Snoeren colaboraram com a artista têxtil e compatriota Claudy Jongstra, cujo trabalho fica no coração da coleção. Ela trabalha com o seu próprio rebanho de ovelhas, raras e indígenas, para produzir feltro de lã, tudo à mão e usando as suas próprias tintas botânicas. É um processo holístico e fascinante. Pode ver mais no site dela, super recomendo.

Viktor and Rolf (and Claudy Jongstra) Haute Couture Week Fall 2019 | photo via Vogue

O envolvimento da Jongstra, junto com a utilização de restos de tecidos de coleções anteriores, nos desafia a repensar o quê é progresso no mundo da moda. O método, junto com os designs em si mesmos, representam um equilíbrio entre o passado e futuro.

Viktor and Rolf (and Claudy Jongstra) Haute Couture Week Fall 2019 | photo via Vogue

Os tecidos, tão ricos e saturados, proporcionam um elogio nostálgico de artesanato antigo. Mesmo assim, as imagens de luas e estrelas sugerem a vontade de olhar para fora de si, viajar além dos nossos limites, para conquistar alguma coisa nova. Como é que andamos para frente? Como é que estamos crescendo e mudando?

Viktor and Rolf (and Claudy Jongstra) Haute Couture Week Fall 2019 | photo via Vogue

Esta coleção sugere que o design inovador pode ser executado com técnicas velhas. Olha para trás, na época antes da fast fashion, quando você sabia o nome da própria ovelha que produziu a lã do seu casaco e quando as pessoas produziam tintas naturais dos próprios jardins. O que criaram é uma história encantador da magia que acontece quando se uni a terra, estrelas, animais, artistas, e designers para criarem alguma coisa do outro mundo.

Givenchy

A transformação que nós vemos em Givenchy tem menos a ver com o processo e mais a ver com as imagens que os designs nos comunicam. Em particular, a diretora artística Claire Wright Keller tinha na imaginação a trama duma ”noblesse radicale”.

A visão da Waight Keller é de uma mulher morando num chateau envelhecida (coitada), e que ela está resistindo os confins da estrutura em si mesma. Vemos bainhas inacabadas, tiras rebeldes de tecido, e muitas penas (ai, se fossem artificiais, até melhor!). Ela é uma mulher ”anárquica,” uma ”mulher-pássaro presa na casa,” segundo à designer. É um tema e arquétipo que simplesmente pedem ser psicanalizados.

E é um tema de aprender a ter paciência quando presa por dentro da sociedade, seja na carreira, na escola, ou nas relações. Todos nós moramos por dentro duma estrutura, e de certo modo, resistimos. Corremos de câmera à câmera nas nossas mentes, colecionando experiências e guardando-as para aquele momento em que podemos ser livres e continuar até a próxima etapa.

Penas e Franjas

As penas e a franjas nesta coleção parecem crescer de todo cantinho das roupas – de baixo das bainhas e por meio das costuras. Parece que crescem bem onde estão plantados. Me deu a impressão de que essa teorética ”noblesse” está esperando até as asas crescerem por completo e ela pode fugir por um buraco no telhado.

Givenchy Haute Couture Week Fall 2019 | Artistic Director Claire Waight Keller | photo via Vogue

Leva uma paciência corajosa cultivar o crescimento dentro duma estrutura antiquada, caindo aos pedaços ao seu redor, sabendo que tem que decair até o ponto em que abre a sua saída.

Givenchy Haute Couture Week Fall 2019 | Artistic Director Claire Waight Keller | photo via Vogue

É uma imagem apropriada dos desafios na frente da indústria da moda. Estamos mergulhados por dentro das nossas normas, políticas, cadeias de produção, desigualdades sociais, etc. Temos a ideia de que não apenas estamos ultrapassando o statu quo, mas também com o fato de que se não mudarmos logo, essa estrutura antiga vai decair por volta de nós. Estamos enfrentando inúmeras ameaças no mundo, seja aquecimento global, sobrepopulação, escassez d’água, pobreza, e muito mais.Temos que encontrar uma saída, ou seja, soluções.

Givenchy Haute Couture Week Fall 2019 | Artistic Director Claire Waight Keller | photo via Vogue
Givenchy Haute Couture Week Fall 2019 | Artistic Director Claire Waight Keller | Kaia Gerber | photo via Vogue

Precisamos de soluções, sim – mas ao contrário da coleção de Viktor and Rolf, a Waight Keller não nos ofereceu nenhuma. Apenas penas. Acho que capturou perfeitamente o momento em que estamos agora, como tirar uma foto do clima atual, É mais uma observação do que um remédio.

O que é que você achou dos shows? Te encorajo assistir os vídeos no YouTube e me deixe saber o que pensa!

beijos,

Stig.