Guo Pei: Sobre a Coleção Incrível de Alta Costura da Designer Chinesa!

guo pei haute couture week fall 2019

Estou rapidamente apaixonando com a Guo Pei, e espero que pelo fim deste post, você também se apaixonará! Falei brevemente sobre esta coleção neste post, mas na minha humilde opinião, merece muito mais cobertura! Então me acompanhe numa exploração da coleção mais recente dela e veja por quê ela é tão incrível!

Se quiser uma introdução a quem é a Guo Pei e o quê é que ela faz, pode conferir este vídeo curto (em inglês):

A Guo Pei fundou a sua própria linha prêt-à-porter (”pronto-a-vestir”) na China em 1997. Em pouco tempo, ficou famosa por vestir as celebridades e políticos mais eminentes do país. No entanto, a paixão dela é a sua linha de alta costura.

Com a alta costura, a designer tem muito mais liberdade sobre os designs, ao contrário de prêt-à-porter. Com as linhas prontas-a-vestir, cada peça tem que ser vendável porque, afinal das contas, a empresa é sobretudo um negócio. Por isso, a criatividade da designer é limitada pela procura no mercado, né?

Criando uma Narrativa

A alta costura é outra história – de fato, para a Guo Pei, tem TUDO a ver com a história! Um traje pode ser mais escultural do que usável, e não há problema desde que ele conte uma história.

A narrativa da Guo Pei nesta coleção é um desafio enorme interpretar, pois eu, sendo gringa, sou tão mergulhada na cultura ocidental. Não tenho qualificação nenhuma para tentar interpretar a coleção, mas mesmo assim, tentei com todas as minhas forças, haha! É só dar uma olhadinha às roupas neste show e já sabe que merecem uma inspeção de perto!

Há muito para decifrar aqui. O bordado dela é tão densa com simbolismo que acredito que alguém podia escrever uma tese inteiro sobre o assunto!

Por isso, estou limitando-me um pouco, tanto pela falta de tempo e espaço quanto a falta de perícia.

Pode conferir o show em completo aqui:

E um clipe de alguns vestidos de perto da conta IG Couture Notebook:

A Vida Após da Morte

A Guo Pei descreveu esta coleção como uma representação dum universo alternativo, segundo a Vogue, e que se podia aludir à vida após a morte.

Vale a pena dizer que alguns críticos já interpretaram esta coleção através duma lente ocidental, que não é necessariamente uma má coisa (porém sobre-representada no mundo de moda). Todos nós trazemos a próprias experiências, né? Mas para mim, gostaria de tentar ver a coleção da perspetiva da Guo Pei mesma. Ela é muito explícita sobre o uso de símbolos chineses tradicionais, principalmente na alta costura.

As Gémeas

O show abriu com gémeas dividindo UM vestido tão cheio de bordados que é difícil saber aonde olhar! Então comecemos com o óbvio: estão usando um vestido preto com toques em creme.

Guo Pei Haute Couture Week Fall 2019 review!
Via Vogue.

Não podia ter sido uma escolha alheia criar um vestido assim. Imagino que seria enormemente difícil construir! Com uma designer como a Pei, cujo trabalho é cheio de símbolos e significado, a escolha das gémeas significa algo além dum visual inédito. Esta peça nos introduz à ideia de dualidade, a coexistência da vida e da vida após da morte, o terrestre e o celestial. Prepara a plateia de pensar em termos de duplas, de contrastes, de duas realidades alternativas.

Sobre Cor

Preto na cultura chinesa é a cor dos céus, e branco é a cor da morte. O primeiro vestido, o das gêmeas, exibe as duas cores e abusa particularmente de preto. De fato, é o look mais escuro da coleção – daqui para frente, com a exceção do finale, vemos tons de creme com apenas toques de azul claro, preto, e, raramente, vermelho. Então começamos nos céus com preto, e daí entramos em outra realidade, alem até dos céus, e talvez até mais divina ainda.

Guo Pei Haute Couture Week Fall 2019 review!
Via Vogue.

Símbolos

Nesta altura do show, a conclusão de que estamos numa vida após da morte hiper-divina – ao contrário dum inferno branqueado – é baseada na combinação de cor e símbolos. Mesmo que estejamos num reino pós-morte, os recados positivos dos bordados nos asseguram que estamos num lugar mais de que bom.

Uma das mais repetidas e destacadas imagens é a do macaco, que me incitou a fazer um mergulho fundo na internet pesquisando sobre a simbologia chinesa. É mais provável que esse macaco seja um gibão, na na dinastia Zhou representava o ”símbolo do mundo do sobrenatural, mistério, e afastado do mundo quotidiano dos homens,” segundo este ensaio de 1967.

Guo Pei Haute Couture Week Fall 2019 review!
Via Vogue.

Há inúmeros elefantes (muitos cavalgados pelos gibões), que representam sabedoria e força. Nós vemos pérolas em todo lugar, que simbolizam a perfeição e iluminação espiritual. Dragões Azuis adornam as bainhas, símbolos de bondade, riqueza, e justiça. Se você está de verdade na vida após da morte, está em boa companhia.

Guo Pei Haute Couture Week Fall 2019 review!
Via Vogue.

E daí, devagar, há uma mudança e aos poucos os designs parecem mais ”terrestres.” Começa com alguns galhos …

Guo Pei Haute Couture Week Fall 2019 review!
Via Vogue.

… e evolui com bichos cintilantes …

Guo Pei Haute Couture Week Fall 2019 review!
Via Vogue.

… até a peça do finale, que é VIDA a todo vapor!

Guo Pei Haute Couture Week Fall 2019 review!
Via Vogue.

O Finale

Não sei como, mas depois de obcecar-me nesse show e anotar a evolução que cada look representa, para mim o vestido do final é um ponto de interrogação gigantesco. A explosão repentina e condensada de cor é nada mais que deslumbrante.

Na maior parte da coleção, estamos naquele mundo calmo em cremes e brancos, pensando que não existia nada mais lindo ou sagrado do que aquele mundo. Mas do nada, estamos confrontados com aquelas coras ricas de laranjada, amarelo, e verde, tudo numa vez só. Estas cores representam alegria, prosperidade, e saude. Me faz pensar que afinal das contas, talvez eu não entendesse a divindade. Talvez todos aqueles looks sonhadores em branco fossem apenas uma entrada para a divindade verdadeira – algo chamativo, exultante, menos contido, menos cerebral.

Que me faz pensar – há algo mais divino que viver?

É por isso que esta coleção me comoveu tanto. Amo aquelas questões enormes e intensas que a arte nos proporciona. Fazem a experiência da arte mais alegre, cheia de encantos, algo muito maior que apenas um exercício de dividir as roupas entre as categorias de ”bonita” e ”feia.”

E você, como é que interpretou esta coleção? Me deixe saber!

beijos,

Stig