Deixando as regras de moda para trás

black and white outfit, snake print over the knee boots, leather wet look leggings | conjunto preto e branco com botas over the knee, leggings de couro "wet look", estampa de cobra

Se o inimigo de arte é a falta de limites, então na semana passada me encontrei dentro dum closet cheio de amigos. Foi um daqueles dias em que não parecia que tinha nada novo a fazer com as roupas que eu tinha, apenas a tentação de usar uma camiseta velha e jeans. Talvez com um salto alto, quem sabe – mas a ideia me deixou tão sem graça que fiquei determinada a encontrar alguma coisa que me apetecesse de verdade. Dentro daquele closet, tinha que ter uma combinação nova de peças que ainda não tivesse usado!

A minha irmã estava visitando de Detroit, e íamos para São Francisco cumprir alguns recados. Para mim, cada dia é precioso, um oportunidade de usar exatamente o que quero no contexto do que está planejado. E aquele dia, como tinha tempo limitado com a minha irmã, queria usar alguma coisa que me desse vida, sabe?

Uma parte de mim queria invocar alguma Regra da Moda. Sabe, aquelas ”regras” que as pessoas regurgitam, geralmente alguma coisa feita ”uma mulher por cima de tal idade não deve usar tal roupa,” ou ”as loiras não devem usar amarelo,” ou ”num dia durante a semana deve usar apenas roupas sóbrias.” Na verdade, faz tanto tempo que não presto atenção as regras de moda que nem sei mais quais são. Seria mais fácil, sim, ter alguém ditar-me o que devia usar, mas não aguento ter ninguém mandar em mim como é que eu devo expressar-me.

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Botas: Steve Madden | Leggings: Love, Fire | Camisa: Express | Jaqueta: Anthropologie, similar aqui

Falando de carma

A minha mãe tem o que a gente chama ”parking karma,” ou seja, bom carma com respeito a encontrar vagas num estacionamento lotado. Ela visualiza a vaga que ela quer, e nem estou brincando, a vaga aparece 9 vezes de 10. É incrível. Ela já me disse que o ”carma” (sei que neste contexto não é mesmo carma, mas estou invocando licença poética) levou prática para melhorar, como qualquer outra coisa na vida.

Eu particularmente tenho parking karma mau a mediocre.

Juntar-se e desfazer-se

Graças a Deus, o meu carma de moda parece estar melhorando com tempo. É um exercício de estar constantemente criando Alguma Coisa Nova das mesmas peças velhas que já tenho, juntando itens, desfazendo looks, e re-juntando tudo de novo numa forma diferente.

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Em vez de visualizer a vaga que quero, visualizo como eu quero sentir. Depois, parece que a intuição toma o volante. Brinco com combinações diferentes, deixando o look fluir e mudar a medida que vejo o que ”sente” bem ou não.

Inspeciono como me sinto – por exemplo, com aquela vontade de usar camiseta velha e jeans – e faço-me perguntas. Por que é que estou com vontade de usar uma camiseta velha? Estou querendo conforto, tampar uma barriga inchada por causa do jantar de ontem, simplicidade, ou uma combinação de tudo? Depois, continuou e me pergunto qual seria o melhor jeito de honrar aqueles sentimentos E respeitar o que tenho planejado por hoje?

[Falo mais sobre regras de moda e as perguntas de fazer-se neste post]

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Senti como uma foca untada nestes leggings. Amei.

A evolução intuitiva dum look

Então a camiseta vira na camisa social branca do Rodrigo, depois de algumas experiências falhadas.

As calças jeans viram nos leggings de couro fake, também após vário experimentos falhados.

O salto alto básico mudou para uma bota MARA over-the-knee que liga as cores preto e branco no look, adiciona dimensão vertical, e acrescenta textura à produção.

O tempo do dia necessitava um casaco, e os leggings e as botas simplesmente pediam um casaco preto – então o meu casaco de couro fake que tenho há quase dez anos entrou na cena.

Depois, a gente dá um passo para trás, se olhe no espelho, e vê que conseguiu criar alguma coisa que indica perfeitamente como se sente por dentro e como quer interagir com o mundo ao seu redor. Não tem outra arte que faz isso, gente. É particular à moda, uma arte que TODOS NÓS praticam.

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Deixar as regras de moda

É por isso que não gosta de ”regras de moda.” Não há respeito por sentimento, intuição, individualidade, ou processo, tem todo a ver com o resultado, Tiram a alegria e a arte do processo.

“You look like a 90’s Hollywood hooker.” Her eyes slid from side to side when she realized what she’d said. “But, you know, the classy ones. From the movies.”

Aprender vestir-se bem é entender o equilíbrio que existe entre o seu mundo interior e o seu exterior. É aprender entender-se melhor todos os dias.

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A propósito, ao sair de casa eu perguntei à minha irmã como estava o meu look.

A sua resposta?

”Você parece uma rameira de Hollywood nos anos 90.” Os olhos dela se deslizaram de um lado para o outro enquanto se dava conta com o que acabou de dizer. ”Mas, você sabe, aquelas chiques. Dos filmes.”

A gente riu disso o dia inteiro.

E isso sentia bem. Graças a Deus que não segui nenhuma das regras de moda.

love,

Stig.

PS. Se você pensa que usei uma camisa branca e NÂO usasse babador na hora do almoço, pensou errado: