Eros: Falando de Amor

Types of Love: EROS

Semana passada, falamos um pouco sobre o fato de que os gregos tinham mais de sete palavras por amor. Contei um pouco sobre o meu primeiro ‘’amor’’, que era na verdade a minha primeira experiência de eros.

palavras gregas por amor

Eros na Mitologia

Sabia que Eros é também conhecido como Cupido no núcleo Romano?Quando penso em Eros, também penso no deus grego, aquele cara alado, pelado, e com arco e flecha. E penso também no chocolate, porque a minha mente vai direto para o dia de Valentin, e, naturalmente, para o que mais importa: comer chocolate.

Mas há outra parte da historia, uma que eu acho bonita e iluminador sobre a nossa natureza como humanos. A mitologia grega nos oferece algumas versões das origens do Eros. Uma delas nos diz que Eros era filho do deus primordial, Caos, e como tal, era um componente integral das forças do universo. É uma força criativa e unificadora, que segue o seu próprio caminho, fora do controle das pessoas mortais.

E então, tudo que ele simboliza (eros com ‘e’ minúscula) faz parte do tecido do mundo. E o que ele simboliza é demais! Amor, mas especificamente o tipo picante, de lençóis de seda, espelho-no-teto, Netflix and chill, ”vamo’ lá pro motel”, amor. E também amor de se fitar nos olhos por horas, dormir-de-conchinha, escrever notinhas de amor – esse tipo.

O mito reconhece que para a maioria das pessoas, o amor romântico é algo que surge naturalmente. Começa cedo na vida, como um crush por exemplo (olha só à minha grande história de amor com o Nick Carter).

E os gregos, grandes observadores da condição humana que eram, sabiam disso. O arco e a flecha do deus demonstrava a nossa sensação do controle do amor romântico estar por fora das nossa mãos. Em qualquer momento, você pode ser vítima duma flecha envenenada e, coitado, você não vai ter opção a não ser entregar-se ao fado.

E posso dizer-lhe através da experiência (não, não foi com o Nick) que a sensação é incrível, assustador, e exaustaste. Se é amor de verdade, tem um elemento profundo, espiritual, de ver a pessoa na sua forma mais pura e bela. Não tem substituto.

Mas não é tudo que o amor tem para nos oferecer.

Eros, beijos, palavras de amor
Ás vezes, o amor é do clima ”Dia dos Beijos.” Outras, o vibe é mais ”vamos sentar no sofá em silêncio, soltando pum de vez em quanto.” Assim é a vida, e é tudo bom!

O que significa para nós mortais: as mentiras que temos que deixar para trás

Temos que lembrar-nos de que eros não é o único tipo de amor, e nem deve ser, mesmo dentro duma relação romântica. Mas a nossa sociedade nos ensina que este amor é o que nós merecemos. Apenas aquele amor de paixão, daquela intensidade física, quase chegando à mania. E mais, que deve encher a nossa visão, ocupar todo espaço das nossas vidas, e que senão, a relação está quebrada. 

Estou aqui para dizer-lhe que NÃO. O amor, incluindo amor romântico, é maior que isso – e você merece mais que isso. Se você espera que todo amor da sua vida esteja assim, de sempre ter aquele friozinho na barriga e arrepios, está a enganar-se. 

Não quero dizer que não deve sentir aquele friozinho na barriga – quando o sente, aproveite! É uma parte maravilhosa da vida.

O amor é maior disso, mais espectacular, mais simples e ao mesmo tempo, mais complexo. O amor, na sua totalidade, é construído por várias faces diferentes. Numa relação duradoura, o único tipo de amor não pode ser eros. 

A vida nos leva para lugares inesperados. Às vezes nos achamos na fossa, e ai, junto, está o amor – talvez numa forma que você não previamente vira. Na maioria das vezes, estamos seguindo para frente com a vida quotidiana, lavando a loiça, indo para trabalho. Sim, amor permanece lá também. E as vezes, você vai se sentir tão cheio de alegria que nem sabe o que fazer com si – e ai, vai estar o amor também. Acho que é por isso que os gregos tinham tantos nomes para o amor, porque se veste em fantasias diferentes.

Eros, esse amor de paixão, físico, romântico pode ser um amor profundo? Claro que sim. Mas não pode estar sempre ligado.

Psiquê

Sabe quem é o grande amor do deus Eros? Uma mulher humana (que se tornou, eventualmente, deusa), que se chama Psiquê. O nome dela é a mesma palavra por mariposa, e não por acaso, por alma. Ela simboliza a alma humana – e Eros, o amor romântico. Ele não apaixonou pela aparência dela, senão o espírito. Demonstra que o amor faz parte de quem somos como pessoas – é inevitável.  Lindo, né?

A lareira

Uma amiga me deu uma metáfora que me ajudou muito em conceituar e normalizar as faces dum amor duradouro. Imagine uma casa com vários cómodos. A casa tem que ter fundação, paredes, tecto, móveis, et cetera para fazer um lar verdadeiro. Mas também (imagine que estamos num clima frio) tem que ter uma lareira.

A lareira faz parte da estrutura da casa, mas não está sempre acesa.  Às vezes ela esquenta o cómodo inteiro, às vezes a casa inteira, às vezes estão só brasas e cinzas. Mas não deixe de ser uma lareira.

Imagino eros assim – a lareira da casa. Tem dias em que ela esta quente para caralho, e outros que não. E entre esses dias, você ainda pode cuidar e curtir e amar as outras partes da casa. Conhecê-la melhor, descobrir cantos novos, apreciar todo aspeto dela, e ter fé que a lareira vai voltar a acender de novo. Se não tiver fogo na lareira, não significa que ela está quebrada. 

É por esse motivo que acho tão importante falar de todo tipo de amor, porque normaliza todas as nossas relações, sendo românticos ou não!

O que é que acha do metáfora da lareira?  Gostou?

Fique ligado – na semana que vem, falaremos da segunda palavra por amor: Phília.

Beijos,

Stig